Blog

Capabilidade ou Capacidade de um Processo?

Imagem Capability capacidade dos processos
Artigos Lean Six Sigma

Capabilidade ou Capacidade de um Processo?

Vemos muitas vezes estas duas palavras utilizadas no âmbito de Processos Industriais e pela
experiência e investigação realizada, considero útil trazer aqui um esclarecimento.
Primeiro uma definição simples do conceito Capacidade do Processo: é a capacidade de um
processo cumprir com uma determinada especificação de um cliente ou do mercado, por
exemplo.
A confusão entre Capabilidade e Capacidade vem do inglês:

Em inglês Capability é a capacidade de um processo e Capacity é a capacidade de um objeto
(por exemplo esta garrafa tem a capacidade para 1 litro de água).

Em português usamos o termo Capacidade para estes 2 conceitos. E o termo Capabilidade não
existe em português: ‘No dicionário de inglês-português da Porto Editora, traduz-se “capability”
por capacidade, aptidão. Esta tradução parece-me estar de acordo com o verbete “capability” do
dicionário de inglês Oxford.’ *

Mas na prática é muito utilizado em apresentações, formações e não só. Não nos devemos focar
nesta “polémica”, mas sim em mais uma ferramenta interessante no âmbito do SPC (Controlo
Estatístico de Processo), da Qualidade e do Controlo de Processos.

Em termos técnicos, quando falamos em capacidade de processo, referimo-nos à aptidão de
um processo produzir consistentemente dentro dos limites de especificação definidos. Essa
aptidão é normalmente avaliada através de índices estatísticos como o Cp, Cpk, Pp e Ppk, que
medem a variação  e localização do processo em relação às tolerâncias. Um processo é considerado capaz
quando a sua variabilidade natural é significativamente menor do que a faixa de especificações
e o seu centro está alinhado com o alvo pretendido.

Para garantir e manter essa capacidade, o Controlo Estatístico de Processo (SPC) é uma
ferramenta fundamental. Dentro deste, as cartas de controlo são o método mais eficaz para
monitorizar a estabilidade de um processo ao longo do tempo. Permitem distinguir entre
variações comuns (inerentes ao processo) e variações especiais (devidas a causas externas ou
anómalas). Só um processo estatisticamente estável — isto é, sob controlo — pode ter a sua
capacidade avaliada de forma fiável. Assim, a carta de controlo não é apenas um instrumento de
monitorização, mas o primeiro passo para garantir que a medição da capacidade do processo
reflete o seu verdadeiro desempenho.

Diversas normas e referências reconhecem esta abordagem, como a ISO 22514-1:2014
(Statistical methods in process management — Capability and performance — Part 1:
General principles and concepts), a AIAG SPC Manual (4th Edition) e publicações de autores
clássicos como Douglas Montgomery (Introduction to Statistical Quality Control), que reforçam
que a carta de controlo é o instrumento essencial para avaliar e manter a estabilidade e
previsibilidade de qualquer processo industrial.